"Se a vida é subjectiva, o futebol é 100 vezes mais"

Pablo Aimar

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Internazionale


Ao fim de 45 anos de espera, o Inter de Milão voltou a ser rei da Europa. Dois nomes destacaram nesta final: Milito e Mourinho. O primeiro pelos dois excelentes golos que marcou (fez também duas assistências desaproveitadas pelos seus companheiros). O português pela novela que está a ser a sua saída para o Real Madrid. Se era praticamente certo antes do jogo que a mudança de clube irá existir, ao conseguir vencer a final, Mourinho conseguiu mais um argumento de saída (para além do "estou farto de Itália"): já ganhou tudo e conseguiu até imitar Guardiola ao conquistar um triplete (taça, campeonato e champions).
O Inter de Milão muitas vezes é "acusado" de não ser uma equipa realmente italiana, porque há poucos italianos no plantel e na maioria das vezes nenhum no onze titular. Mas o facto é que está apenas a respeitar o seu nome e a razão da sua fundação. Em 1908, alguns dissidentes do actual AC Milan, juntam-se para criar um clube que aceitasse estrangeiros, ao contrário do que acontecia com o rival. Daí o nome "Internazionale".

Mourinho faz neste momento parte de um restrito número (3) de treinadores que foram campeões europeus por 2 clubes diferentes. Provavelmente em breve será o único a ganhar por 3 clubes diferentes. É já um dos melhores treinadores de sempre, mas tal como Messi, caminha para ser o melhor de sempre.

A final de sábado teve pouca história, sobretudo na 1ª parte. O Inter controlou sem bola, como é típico do futebol italiano e esperou os contra ataques para tentar marcar. Houve um lance em que o Bayern poderia ter empatado, no início da 2ª parte, mas Julio César mostrou porque é um dos melhores guarda redes do Mundo.

Em Milão foi a locura e a festa durou até ao amanhecer. Às 6h da manhã, 50 mil tiffosi esperavam os novos campeões europeus no Estádio Giuseppe Meazza. O herói de Barnabéu (Milito) estava lá, mas o herói que vai mudar-se para o Madrid provavelmente estaria em sua casa, a descansar e não se despediu dos seus adeptos.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Autobus


O jogo de ontem entre o Barça e o Inter foi precedido de uma carga emotiva enorme, por parte dos catalães. Durante toda a semana não se falou noutra coisa (alguns nem devem ter reparado que houve um jogo para o campeonato no fim-de-semana).

O que aconteceu foi algo sem precedentes no clube catalão, segundo dizem. A imprensa catalã passou a semana toda a falar no Olegário, no Mourinho, no Figo e também a lembrar de outras "remontadas" que o clube tinha conseguido, depois de ter perdido na 1ª mão por mais de um golo (contra o Chelsea, Gotemburgo, Dinamo Kiev, por exemplo). Os próprios jogadores não se coibiram de pedir o apoio do público, tradicionalmente frio e um pouco distante dos jogadores, comparando por exemplo com os adeptos de outros clubes como Atlético Madrid, Real Madrid, Athletic Bilbao e Valência). Chegaram até a vestir uma camisola preta com uma mensagem que dizia "deixaremos a pele", no fim do tal jogo do fim-de-semana, contra o Xerez.

O efeito de toda esta antecipação resultou bem. Isto é o objectivo de tornar o Camp Nou no 12º jogador. Nunca vi este estádio tão animado e crente, com o um apoio constante à equipa, mesmo que aos quase 80 minutos ainda faltassem 2 golos. Mas não foi suficiente.

O jogo resume-se ao dominio completo do Barça em posse de bola (superior a 70%), mas sem grandes oportunidades de golo. Antes de Piqué conseguir bater Julio César, apenas houve dois lances perigosos. Um remate de Messi à entrada da área (excelente defesa de Julio César) e um cabeceamento de Bojan (que passou a 2 palmos do poste).

A forma como decorreu o jogo teve o seu momento decisivo por volta dos 30 minutos, quando Motta foi expulso, após um mergulho indecente de Busquets. Se o Inter atacou pouco até então, a partir daqui simplesmente abdicou de passar o meio campo. Foi a desculpa perfeita para não ter de arriscar nada de nada. Simplesmente jogou com 10 nos últimos 30 metros, ou seja utilizou a nada inovadora técnica do autocarro (autobus em italiano).

O golo de Piqué, a 10 minutos do fim, deu esperança aos actuais campeões europeus, e o Inter perdeu o equilibrio (tanto pelo cansaço fisico, como pelo cansaço mental), tremendo um pouco nos minutos finais, mas o resultado não alterou-se.

Pode-se dizer que perdeu o Barça, mas também perdeu o futebol. É legitimo jogar como o Inter jogou. Mas não apaixona ninguém e contribui muito pouco para o futebol. Por exemplo caso o Inter tivesse perdido a eliminatória jogando assim, os tiffosi italianos teriam dito que a equipa não joga nada e até insultado Mourinho e todos os adeptos neutros diriam que o resultado foi justo pois teria ganho a eliminatória a equipa que quis ganhar atacando, assumindo o jogo. Neste caso, foi eliminado o Barça mas os seus adeptos estão orgulhosos da sua equipa, pois deu tudo o que tinha, foi fiel ao seu jogo e mostrou claramente quem é a melhor equipa. Os adeptos neutros, na sua maioria, ficaram desiludidos com a equipa que passou à final e continuam a admirar o Barça.
Com este resultado, Mourinho passou definitivamente Figo na lista dos mais odiados em Barcelona. E nem quero pensar no que irá acontecer caso o setubalense vá treinar o Real Madrid.

Inacreditável o boicote feito aos festejos do Inter. Primeiro Valdés atira-se a Mourinho, por pensar que este estava a provocar o público. O português estava apenas a festejar com os 5.000 italianos que estavam nas bancadas. Segundo, a vergonhosa atitude de ligar a rega automática do campo, enquanto os interistas ainda estavam a festejar, numa clara tentativa de os expulsar do campo. Não sei se foi algum dirigente que teve esta brilhante ideia, ou se foi o tratador da relva, mas que foi de um mau perder indigno, isso foi. Claro que depois de 90 minutos daqueles, até deve ter sabido bem aquela água, mas não deixa de ser lamentável.

Na final irão encontrar-se dois velhos conhecidos. Mourinho foi adjunto de Van Gaal 2 ou 3 anos. Como curiosidade adicional, um dos dois vai ser o terceiro treinador a ganhar a champions por 2 clubes diferentes. Favorito? Nenhum. É uma de 50%-50%.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Surpresa

O Inter derrotou o Barça em S.Siro, por 3-1. foi um grande jogo, em que a figura do jogo acabou por ser Diego Milito, com 1 golo e duas assistências, para além de um grande trabalho durante o tempo em que esteve em campo (saiu com cãimbras).

Confesso que não esperava uma vitória do Inter, muito menos com 3 golos marcados, mas o facto é que Mourinho preparou muito bem o jogo e apesar de não ter bola, conseguiu ser sempre mais perigoso, exceptuando os últimos 15 minutos, em que os nerazzurri já se arrastavam em campo (natural depois do desgaste de andar a correr de um lado para o outro a fazer pressão o tempo todo).

Com este resultado o Inter passa a ter um ligeiro favoritismo na eliminatória. Digo ligeiro porque a 2ª mão é no Camp Nou e uma vitória por 2-0 está perfeitamente ao alcance da Pep Team (provavelmente a melhor equipa de sempre, seguramente a melhor desde o Milan de Sacchi). Quem passar a eliminatória será claramente o favorito para a final. mas de favoritos perdedores estão estas finais cheias.

Este jogo teve o condão de juntar mais um tuga à lista negra dos catalães. Recordando por ordem cronológica:
1.Figo (el pesetero)
2.Mourinho (el del teatro)
3.C.Ronaldo (el chulo)
4. Olegário Benquerença (el ladrón)
Nos últimos dias na imprensa desporitva catalã não se tem falado noutra coisa que não seja a arbitragem do leiriense (acho que é leiriense, se não for peço desculpa a Leiria). E chama-lhe de tudo menos de bonito.

Também Mourinho tem sido um tema recorrente, fazem até artigos a explicar porque é que o odeiam (ou seja todas a frases que o special one disse e não lhes agradou, desde 2005).

Vivendo em Barcelona, digo-vos já que não é fácil ser-se português. Vou começar a dizer que sou romeno para ver se diminuem a probabilidades de ser discriminado.

Nota final para Ballotelli. O único jogador mais assobiado pelos adeptos da sua própria equipa que me lembro foi o Reyes, antes de se tornar titular e numa das figuras da equipa (agora é adorado pelos colchoneros). Com uma diferença, o Reyes nunca perdeu a cabeça e desatou a insultar o público, nem atirou a camisola para o chão, com desprezo pela mesma. Não vai ser fácil esta relação. Mas o certo é que também não percebi a reacção do público, ainda durante o jogo, a assobiá-lo depois de fazer um remate. Quer dizer, estás a ganhar 3-1 e achas que a melhor forma de apoiar a equipa é assobiar um jogador da própria equipa? Os ultras italianos são um bocado esquisitos (lembro a despedida do Maldini ensombrada por protestos de uma claque milanista).